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quinta-feira, agosto 02, 2007

Com o vento úmido acariciando a face, aos balanços de um ônibus semi-vazio, onde a pessoa mais próxima está numa distância de 3m, com os headphones tocando Silverchair, escrevo isto. Na testa, gotículas de um suor frio insuportável, com o corpo quente, as mãos geladas, a boca seca e o coração apertado, nesta estranha noite iluminada pelas luzes amarelas dos postes da cidade. Escrevo, ou melhor, tremulo a grafite no caderno enquanto as palavras me aparecem, não para reclamar, mas para constar a realidade. Essa sensação bizarra, esses sentimentos confusos, como se algo estivesse preso na garganta, têm sim seus motivos, e estes que outrora vão parecer tão estúpidos, agora me importam mais que minha própria existência. Enquanto um homem de camisa azul em pé ao meu lado tenta entender estes rabiscos, guardo o caderno e sigo olhando para o nada, registrando os momentos em mente, agora esvaídos por distrações quaisquer.

Eu nunca me senti tão só, tão vazio, tão inócuo em toda minha vida como eu me senti hoje, naquele momento. E eu não estou exagerando. Realmente, eu não posso (ou não consigo?) ficar feliz durante muito tempo..

Depois da terça-feira, que eu poderia dizer que foi o melhor dia do ano (e o mais estranho também), da quarta-feira tranquila, e da boa quinta-feira até certo ponto, dias estes que eu tive relações sociais como se fosse algo normal, ao sair da faculdade a depressão atacou e eu fui ao fundo do poço. Todas aquelas pessoas, umas junto as outras, se abraçando, conversando besteiras e rindo à toa, e eu andando sozinho, pareceu me rasgar no meio. Não era inveja, longe disso; era frustração por não ter algo semelhante, por não saber como ter E manter algo do tipo. Um "Oi, tudo bem?" logo quando eu cheguei na sala, juntamente com um sorriso simpático e um nervosismo que sempre me vem quando eu falo com as pessoas (que simplesmente havia desaparecido nesses três últimos dias, até hoje), piorou o tal nervosismo, e estes destruiram meu dia.

Não sei se existe esse ditado, mas se não, deveria existir: Vai dormir que passa.

Leonardo emo depressivo, post inútil, ninguém comenta, etc.